quinta-feira, junho 19, 2008

GRANDES NOTÍCIAS POR AÍ

«Homem contactará extraterrestres dentro de 100 anos
Um perito norte-americano defende que o Homem contactará a vida extra-terrestre num prazo de cem anos face aos avanços tecnológicos.»

- Diário Digital, 13 de Junho de 2008

O melhor é começar a pensar no que lhes vão dizer. E como daqui a 100 anos eu já serei pó e cinza, por favor transmitam-lhes este recado da minha parte: Senhoras e senhores extra-terrestres (e afins na hipótese de haver mais do que dois géneros), eu vivi entre os finais do século XX e os princípios do século XXI neste planeta Terra que agora vos contacta. Hoje sou (usar aqui o verbo ser é, claro, uma piada) omnipresente, molecularmente falando. Sei apenas que uma boa dúzia de milhões de átomos meus estão agora naquele jacarandá daquela rua que vai para a estação de Oeiras. E até estou contente. Molecularmente falando, claro. Os tipos que vos contactam são muito diferentes daqueles do meu tempo. E olhem que eram tempos difíceis! Mas estes tipos são mesmo muito diferentes. Meio robots, meio humanos. Coitados, mataram a imaginação e agora vivem como débeis numa sociedade feita de máquinas. É provável que se digam muito inteligentes, muito modernos, muito superiores, e tal e tal. Há coisas que nunca mudam! Mas os pobres coitados, que agora fazem sexo com máquinas e bonecas e bonecos de silicone que no meu tempo estavam ainda em protótipo, vivem o mundo dos possíveis. Eh pá, se tiverem tempo provem um tinto do Douro, o Gouvyas Vinhas Velhas. É de chorar por mais. Se é que vocês choram! Se é que vocês têm olhos! Malta verde, vi num filme dos meus tempos que vocês faziam o amor tocando os dedos. É verdade? Uau! Que sofisticados! Sabem, no meu tempo o amor foi duas coisas: tudo e nada. Quando era tudo, os homens e as mulheres lutavam uns pelos outros e liam Amor em tempos de cólera com clarividência porque aquilo fazia-lhes sentido. Quando passou a ser nada, os homens e as mulheres simplesmente desistiram do amor para passarem a estar mais preocupados com a ideologia da individualidade. Pois. Uma coisa típica da pós-modernidade. E depois entraram numa espécie de guerra. Sim, magoando-se uns aos outros, e bebendo uns para esquecer outros, e enganando. No dia em que escrevo isto Portugal vai jogar com a Alemanha. Podiam ser uns porreiros e levar uma bandeirinha nossa na vossa nave. Não gozem ó cabeças de lima. Por aqui o futebol é uma coisa muito, mas mesmo muito séria. E pronto. Um grande abraço aqui do Ricardo e, olhem, na falta de melhores palavras, Paz e Amor para vocês todos e cumprimentos meus ao vosso mundo. Atentamente, eu.

1 comentário:

b disse...

E viva...o que já morreu?
Sentidos que não fazem sentido nenhum, ou talvez inadaptação à evolução da espécie, porque foi nisso que nos tornámos, não foi, uma espécie de qualquer coisa..?

Gostei da gargalhada que dei, confesso!

Posso cá voltar?